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Jairinho começa a depor no júri pela morte de Henry Borel após 8 dias de julgamento

Júri do caso Henry Borel O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, começou a prestar depoimento às 16h50 desta terça-feira (2), no Tribunal do J...

Jairinho começa a depor no júri pela morte de Henry Borel após 8 dias de julgamento
Jairinho começa a depor no júri pela morte de Henry Borel após 8 dias de julgamento (Foto: Reprodução)

Júri do caso Henry Borel O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, começou a prestar depoimento às 16h50 desta terça-feira (2), no Tribunal do Júri que julga a morte do menino Henry Borel, de 4 anos. Segundo o advogado de defesa, Rodrigo Faucz, o réu não vai responder perguntas da acusação ou da juíza. O interrogatório ocorre após oito dias de julgamento marcados por depoimentos de investigadores, peritos, médicos, familiares e testemunhas ligadas ao caso. Acusado de homicídio qualificado e outros crimes, Jairinho terá a oportunidade de apresentar diretamente aos jurados sua versão sobre os fatos que levaram à morte da criança, em março de 2021. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça No início do interrogatório, Jairinho se apresentou aos jurados e falou sobre a infância, a trajetória pessoal e a relação com a família. Em tom emocionado e com a voz embargada em alguns momentos, o ex-vereador destacou a importância da mãe em sua formação e fez referências à irmã ao relembrar episódios da juventude. Jairinho durante o depoimento Divulgação/Brunno Dantas e Felipe Cavalcanti/TJRJ Ao abordar o processo, Jairinho criticou a investigação e afirmou que a defesa teve acesso a novos elementos ao longo dos últimos anos. Segundo ele, o caso possui características incomuns e ainda apresenta fatos que, na avaliação da defesa, precisam ser considerados pelos jurados. "Esse processo é tão fora da curva, que nós da defesa, a cada mês que se passa, nós temos acesso a novas provas do processo. Tem provas que a gente teve acesso em janeiro desse ano, provas que mudam completamente as coisas que estão acontecendo. Realmente é uma coisa para colocar o coração de vocês, colocar a verdade acima de tudo, aquilo que é o certo", declarou. Violência doméstica e boletim de ocorrência Durante o interrogatório, Jairinho também respondeu a questionamentos sobre um boletim de ocorrência registrado por Ana Carolina, mãe de dois de seus filhos, que o acusou de violência doméstica. O ex-vereador afirmou que o episódio ocorreu durante uma crise no casamento motivada por uma traição descoberta pela então esposa. Segundo Jairinho, a discussão aconteceu quando o casal se preparava para comemorar mais um aniversário de casamento. Ele relatou que Ana Carolina viu mensagens trocadas com outra mulher e decidiu encerrar a relação. "Esse dia ficou muito marcado porque foi o único episódio na minha vida que aconteceu alguma coisa. Foi quando íamos comemorar nosso aniversário de casamento. Ela me pegou no carro conversando com uma menina", declarou. Jairinho durante o depoimento no caso Henry Divulgação/Brunno Dantas e Felipe Cavalcanti/TJRJ Ao descrever a discussão, Jairinho afirmou que tentou evitar o fim do relacionamento e que os dois tiveram uma briga dentro do apartamento. "Ela começou a me agredir e eu contendo ela, acabou que ela me agrediu e eu puxei ela pelo braço mais forte para a cozinha. Virou uma gritaria danada", disse. O ex-vereador afirmou que, ao final da discussão, Ana Carolina ameaçou registrar um boletim de ocorrência caso ele não deixasse o imóvel. "Ela falou que se eu não saísse de casa ela faria um boletim de ocorrência. Eu não acreditei que ela fosse fazer. Acabou que eu fui para a casa dos meus pais." Jairinho destacou ainda que, apesar do registro policial, o casal permaneceu junto por mais seis anos após o episódio. Durante o depoimento, ele também admitiu ter cometido outras traições ao longo do casamento, incluindo um relacionamento com Débora Mello Saraiva, uma das testemunhas ouvidas pelo júri. Monique diz acreditar que Jairinho matou Henry "Hoje eu creio que foi o Jairo". A frase foi dita nesta terça-feira (2) por Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e ré acusada de participação na morte do menino em 2021. Segundo Monique, ela dormiu e foi acordada pelo padrasto do menino, o ex-vereador Dr.Jairinho na noite da morte do filho, em 8 de março de 2021, após tomar um comprimido dado pelo então companheiro. "Pelo modus operandi dele, pelos filhos delas, eu acredito que pode ter sido ele", continuou, citando outras acusações de ex-namoradas de violências contra crianças. Monique relatou como estava o filho quando o viu naquela madrugada "Ele estava com a barriga para cima e o pé gelado, e olhando para o nada". Ela afirma que Jairinho repetia que Henry não estava conseguindo respirar direito. A criança foi levada para o hospital Barra D'or, e Monique relatou as manobras de reanimação cardíaca feitas para tentar salvar a criança. Apesar disso, o óbito foi declarado às 5h30. Para Monique, naquele momento, a morte só poderia ser explicada por um acidente doméstico. "Ficaram duas horas e meia fazendo a massagem cardíaca. Não tinha nenhum sinal, nenhuma marca, então para mim só podia ser uma queda de cama", pontuou. Cinco anos depois, a mãe mudou de percepção e agora diz que acreditar que Jairinho matou a criança. Monique ainda alegou que não tinha certeza de episódios de agressão contra Henry, mas que teria uma reação drástica caso soubesse: "Se eu soubesse de alguma coisa, eu estaria respondendo pelo homicídio do Jairo ou enterrada do lado do meu filho" A defesa de Monique disse que ela só vai responder às perguntas da juíza, da própria defesa e dos jurados. Monique fala sobre ter sido dopada Monique disse que acredita que foi dopada por Jairinho para que ele conseguisse conversar com uma amante: "Jairo sempre me dava comprimidos à noite, vi ele macerando um comprimido na minha taça de vinho. Ele fazia questão de fazer eu dormir para eu não ver que ele tinha uma outra pessoa", disse ela. Jairinho e Monique Medeiros na audiência desta terça-feira (14) sobre o caso Henry Borel Brunno Dantas/TJ-RJ Monique chama babá de 'grande mentirosa' Monique ainda disse que a babá de Henry mentiu ao dizer que foi ordenada pela mãe de Henry a apagar mensagens em que alertava sobre possíveis agressões à criança no dia 12 de fevereiro de 2021. "Eu tenho prova de que eu não mandei ela apagar as mensagens. Ela (Thayná) é uma grande mentirosa. Por que eu mandaria apagar os prints se eu tinha os prints do meu telefone? Isso nunca aconteceu". Segundo ela, a pessoa responsável por mandar apagar as mensagens teria sido Thalita, irmã de Jairinho. Monique comentou ainda que várias pessoas da família de Thayná trabalhavam para a família do ex-deputado Coronel Jairo, pai do então vereador. Ciúmes e controle de Jairinho Monique declarou que a relação com Jairinho era marcada por ciúmes. No entanto, ela afirmou que pensava que aquilo era uma demonstração de carinho e atenção no início do relacionamento: "Eu achava que o ciúme dele era amor, era carinho, era atenção, que eu não tive no meu casamento. Ele primeiro pediu meu localizador, que eu não achei nada demais. Depois disse pra eu bloquear todos os meus amigos homens das redes sociais. Ele também morria de ciúme do Leniel", comentou ela. "Ele brigava muito comigo por causa do Leniel" Ela também relatou que ele controlava até as roupas que usava. Em um episódio, Monique diz que foi para a academia de short, mas mentiu para Jairinho que estava usando uma calça legging. "Ele me mandou mensagem e me perguntou: 'O que é isso aqui?', e era uma foto na academia de short. Ele brigou comigo. Eu achava que a errada era eu, que eu tinha mentido para ele", pontuou. Segundo ela, Jairinho posteriormente pedia desculpas e tudo ficava bem. Durante o depoimento, ela relatou episódios de agressão supostamente cometidos pelo ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, contra a criança desde o início do relacionamento do casal. Ao falar do primeiro dia de aula do filho, Monique começou a chorar, o que se repetiu em vários momentos do interrogatório. Segundo a ré, em novembro de 2020, cinco meses antes da morte de Henry, houve um episódio de uma 'banda' e uma 'moca' dada por Jairinho na criança. "O Henry saiu correndo da sala e disse: 'Tio Jairinho me deu uma banda, me deu uma moca, falando que eu era bobalhão e mimado'. Ele disse que tinha só segurado ele pelos braços, passou a perna e ele nem tinha caído", disse Monique. Monique diz que não conseguia imaginar que Jairinho seria capaz de cometer alguma agressão contra seu filho. A mãe disse que, depois de alguns episódios, Henry passou por mudanças de personalidade, se tornando mais triste, e vomitar e tremer na presença de Jairinho. "Se eu tivesse suspeita de tortura, agressão de qualquer coisa, eu não teria continuado nesse relacionamento", pontuou. Monique comentou ainda que, com o que soube na época, não tinha como ter certeza que o filho vinha sendo agredido. Segundo Monique, ela tentou pedir ajuda a psicólogos, médicos e até mesmo ao ex-marido. "Não tinha nada, ninguém falava nada. Como que eu ia descobrir? Era sempre quando eu não estava, sempre escondido", alegou. Monique fala sobre outras crianças agredidas Monique Medeiros citou os casos das duas crianças que teriam sido agredidas por Jairinho, filhos de ex-namoradas dele. No júri, Déborah Mello Saraiva e Natasha de Oliveira Machado relataram as agressões aos filhos e que também foram agredidas pelo ex-vereador. "O Enzo é o Henry que sobreviveu. E considero a Kaylane uma sobrevivente" Atualmente, Jairinho responde a dois processos na Justiça do Rio pelas denúncias de agressão contra as crianças. Relação de Henry e Jairinho De acordo com Monique, Henry gostou de Jairinho em um primeiro momento, já que ele costumava presenteá-lo. No entanto, ela afirmou que passou a perceber uma mudança no comportamento do então companheiro após um episódio ocorrido no fim de janeiro, quando Jairinho teria dado um "abraço apertado" no menino. " O Leniel (pai da criança) disse que o Henry relatou um abraço apertado do Jairinho. 'Eu quero que você fale para ele que não quero abraço no meu filho', e eu acatei o pedido do pai. Chamei o Jairinho, o Leniel disse que não queria mais abraço, e eles deram um aperto de mão amistoso", relatou Monique. Segundo ela, Henry e Jairinho passaram a se afastar depois desse episódio da agressão em novembro de 2020. Ao negar que foi alertada pela babá Thayná Ferreira sobre as agressões de Jairinho no dia 2 de fevereiro de 2021, Monique voltou a se emocionar e chorou muito. "Ela falou que me contou no mesmo dia, e isso é mentira. Eu nunca ia deixar isso acontecer, eu nunca deixaria os dois juntos". Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, usava uma camiseta com fotos do filho Jornal Nacional/ Reprodução Babá narrou que Jairinho deu 'banda e chute' em Henry Monique narrou as mensagens que trocou com a babá Thayná Ferreira no dia 12 de fevereiro, quando ocorreu um dos episódios de tortura investigados pela polícia de Jairinho contra Henry. Na ocasião, os relatos são de que Jairinho se trancou no quarto com Henry, que saiu cinco minutos depois mancando e reclamando de dores na cabeça. Monique diz que Jairinho mentiu que chegou em casa apenas horas depois, enquanto a babá relatava a movimentação dele pela casa. " Ela contou que o Jairinho tinha chamado o Henry para ver o que ele tinha comprado. O Jairinho sabia que não queria que ele ficasse sozinho com o Henry. E ela disse: 'Acho melhor você vir' ", contou Monique. A mãe de Henry disse que tentou entender o que tinha acontecido com a criança naquele dia, enquanto estava no salão de beleza de um shopping próximo ao condomínio Majestic, onde morava com Jairinho. "Nunca imaginava que ele tinha sofrido uma tortura nesse dia, achei que ele (Jairinho) tinha feito comentários contra o meu filho, que era muito sensível", comentou. Segundo Monique, Thayná contou posteriormente que, segundo Henry, Jairinho "deu uma banda e chutou ele", dizendo ainda que a criança atrapalhava a mãe. O júri do caso Henry Borel chega ao 9º dia. Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, acusado de agredir a criança, foi retirado do plenário no início do interrogatório dela. Posteriormente, quando ela disse acreditar que ele era o autor do crime, Jairo voltou ao plenário. Episódios de traição e agressão Monique disse que, logo no início do relacionamento, recebeu uma mensagem numa rede social de Débora. Ela dizia que ela e Jairinho também estavam namorando. Monique, então, resolveu fazer uma ligação para esclarecer os fatos: "Débora disse que estava num relacionamento com Jairo havia seis anos, e ele desmentiu ela. "Eu acreditei nele, mas fiquei com o pé atrás. Ela começou a me mandar prints, dizendo que tinha batido nela, que ele a tinha perseguido. Eu não acreditei, e eu e Jairinho voltamos a namorar", relatou Monique. A mãe de Henry contou que, em novembro de 2020, quando estava dormindo na casa dos pais em Bangu, na Zona Oeste, acordou com Jairinho a enforcando depois que ele teve uma crise de ciúmes. "Ele pulou o muro da casa dos meus pais, acordou me enforcando, jogando o telefone na minha cara porque tinha visto mensagens do Leniel comigo. Ele tinha a minha senha. Eu não tinha a senha dele, e eu descobri que ele tinha outras mulheres enquanto estava comigo" Monique relatou que, no dia seguinte, Jairinho pediu desculpas, alegando que estava embrigado, e o relacionamento continuou. Monique, mãe do menino Henry Borel, depõe em tribunal nesta quarta-feira (9) Paulo Carneiro/PhotoPress/Estadão Conteúdo Até 10h de debate Após os interrogatórios dos réus, começam os debates entre acusação e defesa. Nessa fase, o Ministério Público e os assistentes de acusação terão entre 2h30 e 3h para apresentar aos jurados suas teses sobre o caso. As defesas também terão um período igual para sustentar seus argumentos. Como há dois réus, Jairinho e Monique Medeiros, os advogados precisarão dividir esse tempo entre as duas bancas de defesa. Depois das sustentações iniciais, a acusação poderá fazer uma réplica, com duração de até 2h. Em seguida, as defesas terão direito à tréplica, também de até duas horas (1h para cada réu). Somadas todas as manifestações, a fase de debates pode ultrapassar dez horas e se estender por grande parte de um dia de julgamento. Jairinho e Monique no banco dos réus Reprodução/TV Globo Depois do debate, os sete jurados do Conselho de Sentença responderão quesitos sobre materialidade e autoria dos crimes. Os quesitos são formulados de forma distinta para cada um dos réus. A decisão é tomada por maioria de votos. Quando a votação for concluída, a juíza Elizabeth Machado Louro chamará todas as partes e vai proferir a sentença, estabelecendo a dosimetria das penas. LEIA TAMBÉM: Houve homicídio por espancamento, diz perito sobre morte de Henry Borel Irmão diz que Monique Medeiros foi obrigada por advogado a mentir Monique Medeiros passa mal ao ver imagens do corpo de Henry Borel Depoimento de Leniel sobre morte do filho passa de 10 horas